Livros apresentados no sábado 8 de janeiro de 2022 no programa O Programa que estamos legalmente impedidos de dizer anteriormente e popularmente ainda conhecido como Governo Sombra. Gombrowicz, Bogdanovich e Maria Filomena Molder são os destacados nesta primeira semana de Janeiro.
Carlos Vaz Marques
Diário – Volume I
Witold Gombrowicz
Antigona, 2021 (9789726083924)
Tornei‑me audaz porque não tinha absolutamente nada a perder: nem honras, nem ganhos, nem amigos. Tive de me encontrar a mim mesmo de novo e de depender apenas de mim, porque não podia depender de mais ninguém. A minha forma é a minha solidão.
«Ter este livro nas minhas mãos deu-me uma grande alegria: mais cedo ou mais tarde, as personalidades fortes, como a de Gombrowicz, recebem o merecido reconhecimento graças à absoluta intensidade da sua existência.» Czesław Miłosz
«O Diário de Gombrowicz não só nos ajuda a viver mas também nos torna mais inteligentes.» Enrique Vila-Matas
«O Diário de Gombrowicz influenciou profundamente as minhas noções de identidade e literatura.» Karl Ove Knausgård
Buenos Aires, 1953. Witold Gombrowicz, polaco exilado cuja consagração era ainda uma miragem, escrevia as primeiras linhas — talvez das mais memoráveis em toda a literatura — deste Diário inclassificável, que só a sua morte interromperia em 1969. Destinadas aos leitores polacos da revista Kultura em Paris, estas crónicas estralejantes sobre uma miríade de temas, em que «cada palavra é escrita contra a corrente» e pura dinamite que rebenta com estrondo ideias feitas, converter-se-iam na magnum opus do autor. Nada sai ileso: o efémero conforto das ideologias, a pequenez dos nacionalismos, o provincianismo literário, a arte politicamente comprometida e a humanidade em geral. No pano de fundo do exílio na Argentina, forçado pela guerra, assomam a magia da pampa, lampejos do quotidiano, a par de vultos como Silvina Ocampo, Jorge Luis Borges e Virgilio Piñera, e traça-se o retrato de uma mente brilhante e insatisfeita, de um iconoclasta e subversor em busca de uma identidade. Proibido pelo regime comunista na Polónia, Diário circulou clandestinamente e apenas em 1989 foi publicado sem os cortes da censura.
Pedro Mexia
Nacos de Tempo
Crónicas de cinema
de Peter Bogdanovich
editor: Livros Horizonte ‧ isbn: 9789722400541
"Sou contra a censura - e também contra Garganta Funda."
"Lubitsch fez os melhores musicais de sempre... Os espectáculos Astaire-Rogers dos Anos 30 - e gosto muito de Top Hat, de Mark Sandrich, e de Swing Time, de George Stevens - parecem de mau gosto em comparação."
"Cavalgada Heróica, de John Ford; foi o primeiro Western adulto."
"A contribuição de Selznick para o cinema americano foi importante... mas não era um artista. Nunca seguiu esse caminho. Capra era e seguiu esse caminho."
"Paraíso Infernal, de Howard Hawks, dá-nos a maioria dos temas hawksianos de amizade masculina que começou a desenvolver em 1921 e que continuou a explorar posteriormente."
"Riot in Cell Block 11 é ainda o melhor filme de prisões feito nos E.U."
"As interpretações de John Wayne são do melhor que há em trabalho de actor."
Ricardo Araújo Pereira
Três Conferências
Primeira - Lança o teu pão sobre as águas (sobre o qohélet/ecclesiastes)
de Maria Filomena Molder
Editor: Edições do Saguão
Edição: dezembro de 2021
João Miguel Tavares
A Expansão Portuguesa. Um prisma de muitas faces
de Luís Filipe F. R. Thomaz
Gradiva, dezembro de 2021 (9789897851049)
A expansão portuguesa constituiu um fenómeno histórico de grande diversidade e de muito maior heterogeneidade do que a espanhola. Teve lugar à escala de três oceanos e três continentes, onde as condições geográficas, sociais, económicas e políticas eram muito mais variadas, conferindo lhe desde o início uma imensa complexidade. As crónicas da época, no entanto, não permitem divisar isso de modo claro por diversas razões.
Os projectos fracassados e os êxitos fortuitos repõem a dimensão humana dos ideólogos e dirigentes de antanho; se os ignorarmos, os seus artesãos parecem transcender a natureza humana e transformam-se em super homens dotados de uma visão profética e praticamente infalível do futuro o que, na realidade, só raras vezes ocorreu.
Este livro é uma tentativa de os reduzir às suas reais dimensões e de escrever a história das massas e não apenas a das suas figuras de proa; e, ao mesmo tempo, de situar o fenómeno expansionista português, em cada uma das suas múltiplas vertentes, no seu contexto geográfico, político e cultural.
Fruto de uma conferência proferida na Universidad de los Andes, este livro foi originalmente redigido em castelhano, tendo sido depois publicado em francês. Aparece agora em português, em versão cuidadosamente revista pelo autor.
